Nos últimos três anos tenho vivenciado política praticamente todos os dias, e os conflitos envolvendo política, não raros no meu Estado – Pará –, deixam muitas das vezes uma sensação de impotência a muitos. Principalmente quando a Justiça não realiza o seu papel em punir os culpados. Posso envolver aqui dois dos princípios que estão por trás dos direitos humanos: a Liberdade e a Justiça.A Justiça parece estar a favor das elites, não porque servem as mesmas por escolha, mas porque atende àqueles que podem pagar por bons advogados que recorrem incansavelmente até livrar os culpados que têm “grana”. O favorecimento aos que possuem dinheiro e, por conseguinte, poder, desfalece a luta de muitos movimentos sociais massacrados pelo desrespeito aos seus direitos.
A ditadura crua acabou há algum tempo, mas em muitos municípios brasileiros ela ainda impera sufocando e deturpando a democracia. Quero citar como exemplo neste trabalho o que ocorreu no meu município nos anos que antecederam às eleições de 2004, para prefeito. Sabemos que em municípios pequenos a prefeitura é um dos únicos meios de emprego e renda para a maioria da população. Pois cá não é diferente. Seria satisfatório se estes empregos não estivessem ligados ao voto, mas o que ocorre é que só emprega-se aquele que vota no candidato ou indicado pelo “dono” da prefeitura, o prefeito. Pois bem, diante dessa realidade viviam muitos dos habitantes deste município onde não podiam após receber seu salário comprar em estabelecimentos cujos proprietários eram oposição ao prefeito e de seus aliados, e que eram ameaçados constantemente de demissão se pelo menos fossem vistos conversando com alguém que tivesse idéias contrárias ou que não concordassem ou criticassem o governo.
Toda essa situação se tornou mais grave no ano eleitoral, pois as ameaças se tornaram mais freqüentes, nenhum funcionário poderia ser visto no comício do candidato oposicionista, os correligionários do partido do prefeito espancavam os adversários e a polícia simplesmente não fazia nada, a justiça não movia uma palha, as denúncias no Fórum de nada valiam. As reuniões dos opositores para a campanha eleitoral tinham que ser às escondidas, disfarçadas de reuniões sindicais e ocorriam no Sindicato dos Trabalhadores Rurais. O Prefeito atual já tinha sido reeleito e estava apresentando um candidato que nem do município era, e sim da capital. Mas mesmo assim diante de tanta opressão, o povo, bendito seja o voto secreto, decretou nas urnas um novo tempo para o seu município.
Nestas eleições o ex-prefeito tentará novamente chegar a cadeira. Mais uma vez está nas mãos da Democracia, a Liberdade para escolher. Pois agora não se persegue e nem se espanca quem é oposição ao governo e até mesmo o ex-prefeito parece ter entendido como se deve tratar o povo, que tem o PODER de decidir os rumos da sua história.
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