Exatamente no dia 17 de abril de 1996 ocorrera uma das maiores ações contra a luta pela terra, 19 trabalhadores rurais foram covardemente assassinados pelo Governo do Estado do Pará, cujo Governador à época era o Sr. Almir Gabriel. Dos 19, dez, segundo perícia realizada por um professor da UFRJ, foram executados com tiros a curta distância.
Quero aqui parabenizar o povo paraense por ter feito sua homenagem a esses mortos elegendo novamente o grupo dos seus algozes.
E dizer aos companheiros que a justiça vem de Deus e o Sr. Almir Gabriel vai pagar por tudo que fez contra o povo paraense, assim como todos os seus parceiros.
Do Blog da Profª Edilza Fontes
CAP PM CHARLET disse...
Muito bom os relatos do espisódio "Eldorado dos Carajás". Estive lá em 2003, quando servia na Cavalaria da PM, como 2º Tenente PM e, conforme me disseram inúmeros policiais militares do Destacamento local, havia muito ressentimento por parte dos SEM TERRA. Cumprimos os mandados judiciais sem qualquer alteração, mas também atualmente temos o preparo que os PM's de 1996 não tinham. Eldorado foi um divisor de águas também para a PM, pois marcou o início da especialização das tropas de missões especiais e dois anos depois nasceu o COMANDO DE MISSÕES ESPECIAIS, Comando Intermediário que tive o orgulho de pertencer até bem pouco tempo. Essa especialização me capacitou com os CURSOS DE TROPA MONTADA, FORÇA TÁTICA e o ESTÁGIO DE CONTROLE DE DISTÚRBIOS. Os ressentimentos também foram sentidos por mim em outros assentamentos, os quais estive por força da profissão no cumprimento das reintegrações de posse, tais como o da CCM-METAIS em Breu Branco e o de Canaã dos Carajás. Mas, felizmente, as tropas de Belém não estão tão expostas quanto as tropas locais ao enfrentamento diário dessas questões possessórias. Só me resta lamentar tal episódio que comprometeu bastante a construção de uma polícia cidadão, mas que, enquanto de quaisquer lados houver a indisposição de negociar e o entendimento dos papéis de cada um o campo paraense servirá como palco desse tipo de ocorrências em que não há vencidos ou vencedores, mas que a democracia perdeu mais uma oportunidade de se consolidar. A reflexão que temos, nós policiais militares da abertura democrática, artífices da democracia, é que não dá para mudar o status quo na violência, pois cumprimento a lei e se ela nos impõe como missão defendermos a ordem pública, o faremos, Graças à Deus dispondo agora de toda uma tecnologia de armamentos não-letais que nos garantem segurança no cumprimento da missão. O que ninguém explica é como armamentos ilegais vão parar nos assentamentos de "trabalhadores sem-terra"? Por que os sem-terra dispararam contra a polícia naquele fatídico dia? Se os pms são tão truculentos porque estavam correndo nas imagens? O policial militar que perdeu um olho foi indenizado? Se a história do movimento social continuar negando aspectos que envolvem alguns sem-terra com a criminalidade, vamos continuar sem resolver problemas de ordem social da mais alta gravidade como é a questão da reforma agrária, pois segundo a Constituição Cidadã o Estado brasileiro defende o direito de propriedade e, assim sendo, a materialização da defesa do Estado é sua polícia. Nosso pesar e a esperança de que os meios pacíficos sejam hegemônicos na resolução desses problemas sociais.
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