Em greve desde o último dia 17 de outubro, os professores do município de Colares interditaram, ontem, durante mais de seis horas, a rodovia PA-238, interrompendo o tráfego na única via de acesso ao município, que fica localizado em uma ilha, na região do Salgado, no nordeste do Estado.
Eles prometem interditar novamente a mesma rodovia a partir das 4h da madrugada de hoje, desta vez por tempo indeterminado, “até que o prefeito dê uma solução para nossas reivindicações ou a imprensa venha até aqui”, diz o professor Márcio Sousa, integrante do Sindicato dos Funcionários Públicos do Município de Colares e do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Estado do Pará (Sintepp).
“Nós estamos em estado de sítio”, afirmou o sindicalista, que classificou de “desgoverno” a administração do prefeito Ivanito Monteiro Gonçalves.
A principal reivindicação da categoria é o pagamento do piso nacional dos professores de R$ 1.187, aprovado pelo Congresso, em 2009, e referendado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) este ano. Eles recebem o salário mínimo.
Eles também protestam contra o atraso no pagamento e pela implantação do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR), aprovado pela Câmara do município e sancionado pelo próprio prefeito, em 2009, mas até hoje não implantado.
Segundo Márcio, a prefeitura também não está repassando para o INSS o desconto feito no contracheque dos funcionários, que não estão conseguindo se aposentar. “Ele só paga a parte da prefeitura”, denunciou o sindicalista.
Os professores estão com o salário do mês de outubro atrasado. O prefeito ainda estaria pagando o salário de setembro. A situação é pior, segundo o sindicalista, em outras secretarias que estão com os salários atrasados há quatro meses e funcionários estão “na iminência de também entrar em greve”.
Os 120 professores e funcionários da educação no município iniciaram uma primeira paralisação no dia 30 de setembro, mas fizeram um acordo “assinado em cartório” com o prefeito no dia cinco de outubro, “dando um voto de confiança” a ele, que teria prometido implantar o PCCR até o dia 15 de outubro. Mas, como a promessa não foi cumprida, eles retomaram o movimento no dia 17 de outubro.
A reportagem do DIÁRIO conseguiu falar com a secretária do prefeito, Sandra Paixão, que disse que ele “não está no município”. Ela passou um telefone, mas ao mesmo tempo avisou que achava “que nem é mais dele”. O telefone fornecido por ela só dava na agenda eletrônica.
Sobre a possibilidade de um contato com a secretária de Educação do município, Alcirema Cunha, Sandra disse que não tinha o telefone dela.
AS RECLAMAÇÕES
SALÁRIOS
A manifestação é puxada especialmente pelos professores, que querem o piso nacional da categoria. Mas antes disso, esperam receber atrasados.
INSS
Os servidores também alegam que a prefeitura não vem depositando os descontos feitos nos contracheques para o INSS, o que estaria prejudicando as aposentadorias dos funcionários públicos do município.
Fonte: Diário do Pará, Terça-feira, 08/11/2011
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